Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]
A crueldade do espelho ou meninos fazendo a barba.

Tomei um soco!
Metafórico, pois o meu espelho não é capaz disso… Aliás, ele é capaz apenas de me mostrar meu próprio rosto e nisso ele é bem cruel!
Voltando ao soco, metafórico, ele me foi dado quando vi, pela primeira vez, o meu primeiro fio branco de barba da minha vida!
Foi terrível!
Alisava a barba, na vã tentativa de penteá-la, e do lado direito do meu rosto, na mesma altura do meu lábio inferior vi um impávido fio branco!! Destacando-se contra o fundo preto formado pelos outros pelos…
Veio a mente a primeira barba, que nem barba era na verdade.
Uma “relva” de alvos pelos quase transparentes que, aos 12 anos, achei por bem raspar. Sem nenhuma experiência e com vergonha da tiração de sarro que meu pai faria quando eu pedisse pra ele me ajudar, entrei no banheiro, tranquei a porta e me encarei no espelho: ninguém mais, além de mim, para “ver” aquela barba!!
[quote_left]Minha mulher logo sugeriu arrancar o pelo! Achei a solução drástica (e claro que não quero sentir essa dor!)…[/quote_left]Abri o armarinho e peguei a “bic” com a qual meu pai fazia sua barba. Aquele aparelho de barbear amarelo, que estava velho e que até hoje não consigo usar, foi quem tirando meus raros pelinhos e deixando no lugar uma pele avermelhada e ardida me iniciou nesta vida. Obviamente não passei espuma antes e nem depois creme pós-barba.
E dessa forma fui “zuado” pelo meu pai do mesmo jeito, pois ele me “achou” na saída do banheiro, não sei se com o rosto vermelho de vergonha ou vermelho de inflamado, a verdade é que ardeu…
Então desde os 12 anos, pasmem, eu faço a barba!
Mas é obvio que isso tornou-se um hábito frequente apenas aos 16 ou 17 anos e desde então preciso fazer a barba 3 vezes por semana para não parecer um mendigo! (Muito embora eu pareça um.)
Costumo comparar o ato de fazer a barba com a nossa eterna procura por alguém, porque depois que começamos essa procura nunca mais paramos… assim como fazer a barba.
Se pudesse dar um conselho para cada garoto imberbe que vejo forçando a vista no espelho para ver um bigode onde há apenas um busso, diria: Não comece agora! Nem a fazer a barba e nem a procurar mulher… Você nunca mais parará, então adie.


