26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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Despretensão amorosa

01/03/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

”A nossa liberdade é o que nos prende.”

Outro dia de verão, eu querendo o contrário pois não é fácil trabalhar no calor com roupa social. Quando olhei minhas roupas de inverno peguei a minha blusa flanelada em tons de vermelho. Senti o seu cheiro, tão suave, mas ainda estava clara a mistura de nós dois ali. Lembrei que quando te vi pela primeira vez estava com ela e sentia muito frio… E você me aqueceu em seus braços e abraços. Chegando a sua casa, que revigorante conhecer a Stelinha! Uma cadelinha tão amável que o trocou rapidamente por mim. Você ficou surpreso por ela não ter latido, se acostumou tão rápido com a minha presença.

Dias felizes com ligações de até quatro horas parando de falar só porque o celular descarregava. Ciúmes de brincadeira, beijos bem modelados, muito chocolate misturado com filmes de aventura. Cada mensagem preocupada, avisando aonde ia e quando chegava. Conectados pelas redes sociais e por um vínculo invisível que poucas pessoas conhecem na vida. Tão incondicional, sem cobranças… E sem rótulos! Nossos amigos diziam que éramos um casal meigo, dois anjos meio perdidos.

Gostava mesmo era de ficar deitada de frente para você, como conseguíamos passar horas nos olhando? Me afogava no mar dos teus olhos, que eram de um azul que ficava entre o calmo e o melancólico. Naquela época seu irmão estava com a peça inspirada no ”Pequeno princípe” em cartaz, faltamos no trabalho para vê-lo, a alegria dele ultrapassou o nornal e nós fomos expulsos de lá por ficar elogiando e aplaudindo ele. Que dia torto, perdi o último trem e demos uma volta por São Paulo para eu poder ir para casa. O jeito natural de cuidar de mim, que levava sempre maçãs, me sentia uma professora do primário, mas enfim que belo aluno tinha. Não compreendia muitas coisas que você dizia, mas não me importava de ouvi-lo por horas e horas. Sua coleção de carrinhos e anéis, suas fotos de criança tinham algo tão encantador.

No dia que fui a sua casa e você não estava, precisava do próximo livro da Ordem dos arqueiros, estava inquieta para ler. Ao entrar no teu quarto, me subiu um ar quente ao rosto por ver no seu mural de fotos, uma foto nossa e em uma das abas da internet o meu blogue aberto. Apesar da falta de qualquer compromisso ou vínculo fixado, mesmo romântico exagerado não existia, eu me frustrei. Pois parecia que tudo que combinamos, que vinha ao seu tempo, te incomodava.

Não continuamos juntos, não por falta de carinho… Mas é que o convencional começou a te afligir, você queria me apresentar como a sua namorada e surgiu ciúmes dos meus amigos, se eu não concordasse, ia ficar do lado certo da história ao meu ver. Te explicava tudo detalhadamente, não por obrigação, mas eu achava bom termos clareza nos nosssos atos. Não cobrava para você ir me ver, quando nossos horários vagos coincidiam íamos dar uma volta aonde quer que fosse. Mas depois você queria mais de mim, você queria a mim… E eu não estava disposta a ceder, relacionamento não podem ser algo forçado, tem que ser com aquela pessoa que te motivou de um modo diferente.

Tão bom estar contigo, mas eu não podia comprometer minha vida com outra vida, aquele instante era decisivo para mim. Até aquele momento a liberdade de fazer o que se quisesse sem contratos para sempre, mesmo eu sendo sua princesa nos unia para o que precisávamos. Mas quando uma das partes muda de ideia, destrói os planos.
Eu queria te ver, mas não posso mentir e dizer que tudo bem modificar algumas coisas por ti. Então no próximo outono te ligo, para saber as novidades. Agora é hora de trabalhar, um vestido confortável e um salto alto. A flanela fica para algum dia…

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Aqua teen

29/02/2012 Zumbido Fugaz

Hoje eu senti uma falta tremenda daquele menino dos olhos cor de céu feliz…
Tudo bem que muitas vezes ele falava coisas que eu não entendia,
mas ele falava com uma empolgação que era difícil eu não me animar,
com certeza ninguém consegue tão bem não se cativar com ele.

Ah o jeito como ele mordia minhas maçãs só para me irritar,
isso era a coisa que mais me fazia sorriso por dentro.
Mesmo que as vezes eu tivesse que ser firme para frear o humor juvenil dele,
por vezes meu coração era partido, porque eu queria deixar,
deixar que ele fosse até a lua, mas eu tinha medo de não conseguir buscá-lo.

E eu sabia que ele teria medo também, medo de olhar nos meus olhos e ser repreendido.

Ele tinha uma aura meio azul clarinho e meio girassol
que não deixava que o resto do mundo o contagiasse com tanta tristeza ou qualquer meio hipócrita.
As palavras por vezes foram perdidas diante de uma chamada,
mas só de ouvir a respiração dele e saber que ele estava ali pra mim era o suficiente,
como se não bastasse ele rompia esse silêncio divino só para cantarolar,
tão docilmente que conseguia derrubar qualquer muro que eu tentasse construir ao meu redor.
Seu cantar não era de um todo afinado, mas era no tom de um amor tão puro…

O mais bizarro é que o nosso abraço se envolvia pelos braços,
cabelos entravam num enlace quase tão bonito quanto eclipses lunares,
os rostos ficavam tão harmoniosamente que eu me assustei demais
para admitir o quanto eu gostava da sua presença felina, que só se esquivava de mim,
se eu insistisse em olhá-lo sem pudor.
Ah meu príncipe, como ainda posso ver o por do sol sem o reflexo da luz emanada por todo o seu ser?

Como ainda posso ver tanta beleza no mundo sem os seus comentários descabidos?

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Construindo o Passado

28/02/2012 Gritos do Nada

Cada novo olhar uma nova visão
Em cada olho um universo destinto
As coisas concretas se desfazem no ar
Em cada peito mora um coração faminto

Não é o mesmo rio ou o mesmo lago
E em cada nova análise há uma nova emoção
A história não muda? É um quadro parado?
Pois bem, mudamos então nossa interpretação

Num mundo cheio de deliciosas incertezas,
É sempre bom ter muito cuidado
Com as frases peramptórias e certeiras
Pois ainda estamos a construir nosso passado

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Conto Carnavalesco – Homem da Meia Noite

24/02/2012 Gritos do Nada

Como posso estar tão cansado ainda no sábado de carnaval?
A resposta certa é com certeza a quantidade de bebida e a longa viagem de Porto de Galinhas à Olinda, mas a resposta que gosto de usar é a falta de amor e de beijos que me assolam nesta atual festa da carne… pra não dizer que fiquei no zero, a única carne que provei foi o urutu que comi na praia…

Mas não podia mofar na casa que alugamos em Olinda!! Tinha o dever moral de sair!

Mas o banho antes da partida não foi revigorante, e mesmo diante de tantas ofertas, deixei pra lá os Engov’s e fui de “cara limpa” pra minha grande missão: ver o Homem da Meia Noite durante todo seu trajeto.

Subi a rua do Bonsucesso, com o animo de um condenado que vai a forca, e lá adiante estava o tal do boneco do Homem da Meia Noite, e eu, folião cansado e sem rumo só queria segui-lo pra ter o que contar na triste São Paulo de quarta-feira de cinzas e trabalho…

Mas achei meu rumo! E não foi nos versos do frevo e nem nas placas, o achei num rebolado que pulava e dançava mais a frente.
Grudei meus olhos naquela bunda! Era como se eu fosse um inseto e ela uma luz fortíssima. Subi outra ladeira, e mais outra, e ela a distância de um pequeno pique, mas e a coragem? Conseguiria superar a vergonha?

Homem da Meia Noite balançava seus enormes braços e a música, por mais alta que fosse, era inaudível à mim, que só tinha ouvidos para minhas próprias suplicas: Vá até ela, vá até ela…

Já estava arrependido de ter ido de chinelo quando resolvi que era mais que hora de abordar a mulher dos meus sonhos, me aproximei e delicadamente toquei seu ombro forte. Ela não virou na mesma hora, mas pôs sua mão sobre a minha, percebi então ser quase do meu tamanho e já sonhei com as possibilidades de uma “boa noite” com ela na casa alugada na Avenida da Saudade…

Oras, pensei eu, esse é um sinal! O Homem da Meia Noitee vagava pelas ruas de Olinda, na derradeira hora do dia, pulando as janelas das donzelas para namorá-las, era um sinal para que eu não deixasse passar essa oportunidade!

Cochichei uma dessas coisas que a gente nem lembra o que foi, talvez culpa das espanholas e caipirinhas que tomei, ao invés do tal Engov, para sentir a segurança que precisava. Ela se virou, e bom, virou “virou” outra coisa! É, ela não era mais “ela”…

Afastei-me o mais rápido que pude, não rápido o suficiente pra não ser visto pelos amigos que me acompanhavam com o olhar de longe, que a julgar pelos fortes risos já estavam sabendo a fria em que me “meteria”, a tal bunda era uma pegadinha, e passei mais um dia sem carne… dessa vez, ainda bem!

O que me deixa mais triste é que a melhor história que vivi no Carnaval não é exatamente uma história onde eu tenha me dado bem…

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Ah! Mente confusa!

23/02/2012 Zumbido Fugaz

Ah! O coração que é facilmente preenchido
com os sentimentos mais vis!
Ah! A paixão essa coisa que fere e satisfaz!
O mundo é um hospício
onde os loucos se divertem!

Ah! Essas mãos que perdem a noção do perigo
tocam e podem cair num vício desmedido.
Ah! Meu ego que pode ser corrompido…
Como pode uma mesma alma se deliciar assim?
Quero fazer parte da loucura da história!

Ah! essa minha mente mal-criada
inventa estórias, cria laços, distorce conceitos.
Ah! esses meus pés já tão cansados,
caminham torto, em meio passo, quase parando…
mas voam alto em direção a um novo rumo!

Ah! A sua vinda entre um copo e outro de cerveja
que só ilude meus pobres sonhos infantis!
Ah! A intensidade do tudo durante as madrugadas
que não ultrapassa a vontade da boa intenção…
Queria algo mais depois do meio-dia…

Ah! Essa vontade que me rasga por dentro,
me devora mais um pouco toda vez que te vejo!
Ah! Se sua boca dissesse o que tanto quero ouvir,
e se ouvindo, diferença alguma me fizesse…
Queria ser menos disso tudo e um pouco mais…

 

Nota: Esse poema foi ideia inicial da enigmática Débora (http://www.facebook.com/deboramaal). Que na verdade só havia tido uma inspiração numa tarde dessas de uma semana qualquer que a gente pega o celular e começa a escrever algo para um amigo. Pois ela encaminhou o primeiro verso para mim e para outros amigos. Eu disse a ela que ela poderia trabalhar mais com essa ideia central, então fizemos a parceria nesse poema, espero que apreciem!

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Recordar é viver

18/09/2013 Gritos do Nada
Um poema ligeiro, nem um pouco preciso. Porque sou brasileiro e nunca me escandalizo

Suprema Indiferença I

08/11/2016 Gritos do Nada
Prefiro as nuvens que chovem em mim O céu cinza claro da minha cabeceira

Sobre a ilusão de não possuir eira ou beira

03/09/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Poema quadrilátero

Penso no movimento dos teus quadris, No nosso quarto de paredes brancas. Aprendi a linguagem do teu ventre. Revesti o quarto com paredes anti-ruído. Já passo maioria dos dias sóbrio, Leio kierkegaard e freqüento clubes que passam Godard as 17 horas no sábado. Bebo cervejas importadas e belisco banderillas ao som de um free jazz […]

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25/01/2019 Sonhos Viciados

São Paulo habita em mim

Eu sou todo saudade,Entre a São João e avenida liberdade. Eu sou todo um corpo violado,Um bar esquecido no altar suspenso das suas coxas. Eu sou todo pixo,Pura violência nos muros da sua intimidade. Eu sou todo abandono,Adormecido na fileira mais suja do cine Arouche. Eu sou todo saudade, afogado no barril de corote do […]

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22/08/2012 Gritos do Nada

Numa noite qualquer

É a porta suja de mais um cinema fechado, e é lá que ela esta esperando por algo que a faça correr dali sem pensar. Lá tem papéis velhos, revistas velhas de ofertas do WallMart, papel higiênico sujo, camisinhas usadas, sujeira e mais sujeira, lá tem tudo que ninguém quer mais… E ela está no […]

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27/03/2013 Colunas - Sonhos Viciados

Ler autores pudicos não me comovem

Inspirar, reagir. Hesito um conjunto de palavras. Escrevo e reescrevo – apago! Uma alma em estado insignificante, nenhum discurso elaborado. Palavras sujas, censura no instante primeiro. Se não inspirar vomita o suco biliar. Ler autores pudicos não me comovem. […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: