18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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“Me dê a mão, me abraça…”

23/02/2012 Sonhos Viciados

Carnaval sem gosto de folia.
A gente se anula nos desfiles na TV.
Congela na depreciação dos cabelos, nas moças rugas e nos vencimentos.

Acabou a cerveja, ela canta o samba o enredo.
Aumenta meu desespero, é isso, morremos.
No jeito mais sem graça.

Sid e Nancy voltariam pra acabar com tudo.
Não é má ideia.
Folclore dominical enquanto controlo hábitos e manias.

É carnaval, sem serpentina.
Dia comum, desses bons pra ir embora.

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Pensamentos Carnavalesco: Das coisas que eu sei

20/02/2012 Backstage

Das coisas que eu sei…

Eu sei que o mundo nunca é melhor do que o que fazemos com ele, demorei pra aprender, mas aprendi.

Também sei que a vida pode terminar bem antes da morte, ou pode ir pra além dela, viver é mais que simplesmente estar vivo, espero que não esteja diante do fim pra compreender essa.

Sei que nossos amores dão raiva às vezes, mas sei também que o que mais amamos em alguém deve ser sua autenticidade, e por isso esperar que alguém faça só o que queremos é matar esse amor.

Eu sei que o melhor jeito de ganhar uma discussão é manter a calma e usar o humor, mas saber disso nem sempre me faz ganhar todas.

Aprendi que não tem “daqui a pouco” pra um momento especial, ele passa e é pra sempre, nunca voltará, e por isso sei que por mais bobo ou mais desesperado que parece não dá pra deixar de falar nada quando o momento surgir.

Das coisas que eu sei a mais dolorosa com certeza é a certeza do fim, que por mais que se ame, por mais que se viva, por mais que sejamos felizes, um dia a vida se esvai, e agora, pensando novamente, essa talvez seja, das coisas que eu sei, a mais útil, pois ter noção do fim nos faz conscientes que a vida é só o agora e este deve ser consumido até o fim…

Memento Mori et Carpe Diem

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Porque a gente é assim? [Mais uma história de carnaval]

18/02/2012 Sonhos Viciados

A propaganda é mais forte que a gente imagina e levantar bandeira é tolice. Um vulto que engatinha, um progresso com preguiça.

Americanizados pela própria natureza de um passado próximo. Meus ídolos George e Paul. Rabisco um índio caricato, deve ser um dogma plantado na Amazônia que nunca estive.

Desenho um cocar colorido, não sei se Xavante que desaprendeu a lutar ou Xingu que veste Adidas. Sei que nenhum deles mora em mim. O primeiro brasileiro. Natural da minha primeira escola. Iluminista, sem fundos, sem professor, tinha merenda, as vezes aula.

Flechas sobrevoam a cena do crime. Crime passional, aqui nada é premeditado. Ao menos é isso que a gente fala quando dá merda. Ataque violento, nossas guerras frias não escondem o sangue quente, a latinidade. Virá fácil revolta do gordinho do Cidade Alerta ou vai pro CSI – Miami, lógico, porque lá a gente compra tudo mais barato. Sem injustiças, o primeiro brasileiro é o mulato. Da casa grande que foi dar as caras na senzala. Meu iá-iá meu iô-iô. Lava as escadarias, inventa um outro nome pra um mesmo santo. Nesse fim de ano vou dar sete pulinhos pra vencer as ondas e esquecer dos nossos mil vícios. Nós temos deusa pro mar e vários dialetos.

Ao menos, isso que me mostra a retina. O sonho americano, o sonho médio, só espero a vida melhor em 12 vezes sem juros, um horizonte que meu salário compre. Uma revista caras com meus sorrisos na capa.

Desenho um roqueiro de um passado próximo. Stars in heaven. Rockstar que fala de amor e que fez pacto com o demônio. I love you, baby. Já fui mais radical, mais mini americano. Hoje eu não nego, gosto do batuque. Da folia, dos corpos suados. Da farra, dos confetes, do trombone de vara. Já disse das roupas curtas? gosto também delas e do biquíni mínimo.

Desajuste dessa gente. De humor e passividade.


A imagem e o vídeo, logo abaixo, nasceram bem antes desse texto. Na realidade o incomodo veio quando os dois projetos terminaram. Ao analisar os ícones aleatórios que escolhi. O imaginário incubado, brasileiro. Os trabalhos eram referente a pós-modernidade com roteiro e co-criação de Julie Garcia, Andrea Guerriero e Michel dos Santos. Agora vou ali, curtir o carnaval.

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Ultraje a rigor – Nós vamos invadir a sua praia – Andréa Ascenção

13/02/2012 Resenhas de Livros


Uma, duas páginas e já deu vontade de pegar um ônibus e cair na estrada. Se ser jogador de futebol não era teu sonho, talvez botar o pé na estada sim. Aterrorizar hotéis e estar em duas cidades num mesmo dia. Ia ser uma boa.

Na terceira página você quase liga pros amigos e pensa numa reunião, quem sabe, não sei. Talvez dê certo, “porque rock é isso ai três acordes e vamo embora”. Inspirador, não?
[quote_right]”Algumas músicas, segundo Maurício, nascem com o refrão, às vezes letras, às vezes cerveja…”[/quote_right]
Talvez se fossêmos menos inúteis e isso cara, é complexo. No fim quis mesmo é estar na estrada com os ultrajes. Dividir todas as piadas, os programas de domingo. Show na paulista de improviso ou milhares num Rock in Rio.

A história de uma das maiores bandas do rock nacional, goste ou não, só pelo fato de atravessar décadas já é invejável.

“O Brasil é radical, é tudo ou nada. Tava falando com um amigo meu que é executivo e ele falou: o Brasil não tem classe média. […] O Brasil não tem um lugar que você possa tocar e dê alguma grana. Você faz um show para milhares de pessoas, ou tem que tocar você e um violão num barzinho”

Isso aqui abre uma discussão e o livro ata outros diversos nós. Inicia no tom cartilha. Quem não sabe nada de rock já vai ter algum panorama e quem já tem, segue numa boa sem cansaço. O encadernado segue focado nas situações e no melhor da festa. O lado que pouca gente conhece. As lutas pra divulgar o trabalho, ficar na gravadora e ceder aos interesses ou desinteresses.

Leitura certeira e descontraída, se achar um massacre ver toda a história musical de cada integrante que entra sai, fique firme, logo uma nova situação vai te surpreender.

No fim vai as letras pra cantar junto, mas duvido do ser que não sabe cantarolar ao menos algum trechinho.

Acho que é isso, temos ainda muitas praias pra invadir, muita gente pra ter ciúme, muitas farras com marylou , nu com a mão no bolso.

E nosso pais não precisa de inimigos nomeados pra gente se rebelar, afinal, ainda escrevemos e não publicamos, fazemos música e nada, ainda tem gringo achando que somos indigente. Como é? morar nesse pais é como ter a mãe na zona, você sabe que ela não presta, mas adora essa gatona.

Pois é, muita praia pra invadir e fico feliz por ter em mãos um documentos desses.

Livrão. Corajoso. Mais bandas mereciam um relato desses. Nota 8.

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Teoria do espelho e dos finais felizes

10/02/2012 Sonhos Viciados

Faz dias que ouvi uma frase e é por isso que voltei. Como pode, sei lá. Mas me disseram que o amor acontece ao contrário.

Isso, de trás pra frente. A gente começa com o fim. Com direito a tapa na cara e puxão de cabelo. É o final feliz. Te como de quatro, te pego de jeito. E não é feio, é encanto. Paixão. Ainda quero isso pro meu último suspiro. Seria tudo pra mim, ser guiado sabe-se lá pra onde. Até o inferno seria doce. Apaixonado.

O começo a gente sabe, amistoso. O primeiro dia na escola. Quando nem a gente se aguenta. Volto pra casa, pego um copo com gelo. Dias quentes. Não sei que estação estamos. Não ligo a TV, nem me importa o jornal. As notícias, a vida congelante. Os cheiros das moças que senti no intervalo entre minha casa e o trabalho confirmam. No geral todo mundo vive diversos finais felizes. Obrigado Deus. Um brinde a democracia. Dos corpos, das escolhas, da pouca vergonha, das roupas curtas.

Ao contrário. E viveram felizes para sempre. Branca de neve que não transa, Sereia Ariel sem xana, não sei, tenho minhas dúvidas. Quando se fica bem triste se canta, uma ópera de tristeza e frustração. Que merda, qual é o mesmo o canal que passa o jornal nessa hora?

Melhor pensar nos outros finais felizes, que todo mundo vive. Nos fios de cabelos, nos faróis da cidade, da gente correndo, da gente se enroscando. No dia final que a gente se conheceu. Pensei no fim com todas elas. Se fosse Tutankamon pensaria num jeito de levar todos os suspiros comigo, pra eternidade. Aqueles que eu ouvi de todas elas, sussurrados, dados, roubados ou gritados nas vezes que estive no meio delas.

Eternidade. Deve fazer parte das histórias Disney Channel. Por isso não sou Tutankamon e as minhas memórias são dispersas e se misturam na fumaça carbono da cidade.

Histórias de amor ao contrário. Do fim pro começo. E no final a gente se esbarra, troca farpas, se estranha. Termina na cama ou num canto. Hoje eu gosto dos finais felizes. Especialmente aqueles, em que eu as conheci.

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Recordar é viver

06/10/2011 Coletivo

Coletivo Um Um – Cólera das noites

Eu e os lobos nesse quarto, até essas tantas da noite. Um fio de luz queima nossos olhos, ninguém se importa. Nossa pele pútrida cai aos poucos, nossa boca soletra os mesmos erros e nossos corpos vão pra longe, cada vez mais distantes. Cada ser entoa suas lamúrias, seus grunhidos, se esfrega em outros corpos […]

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07/05/2011 Colunas - Sonhos Viciados

A riqueza entre dois dedos

Já fui dono de uma ruaDe umas historiasDe algumas putas Já fui dono de mim mesmoDe umas moedas,E uma vez me convenciQue já fui dono do vento Certa vez botei um cercadoTrouxe amigos, fiz escriturasE no fim chamei de meu. Mas só me dei conta que era ricoQuando vc disse que era minhaQue sua boca […]

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28/05/2026 Sonhos Viciados

Tormenta perfeita

Fazendo dessas ruínas moradia, sonho com festas & dança, sonho com vento na cabana. Tambores ardem nos cantos mais esquecidos do meu corpo. Enquanto uma criança entrega o sono nos meus braços de arame e pernas de fantasia. Ainda escuto esse oceano infinito [que abre & fecha suas portas] & o sussurro dos montes onde […]

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26/04/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Todo começo é fantasia ou mais uma história de amor

No inicio era o caos, Há quem diga escuridão. Sem exageros. Todo começo é fantasia. 1. O nosso foi uma festa de máscaras e mistérios. Um começo de cortinas vermelhas e bebida. Uma folia sem samba, mas com todos os requisitos. 2. Encontros a meia noite. Ligações demoradas. Encontros de brincadeira, nem lembro o filme […]

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26/05/2011 Colunas - Gritos do Nada

Ainda sou eu!

Um dia, dois dias, três diasO tempo passa preguiçoso sem pararA vida sem graça, vadiaPode ser melhor pra quem amar As horas, que passam longasFazem a vida curtaE o sonho que era pra longeEstá escapando entre os dedos! Eu já tive tanto tempoJogava as horas pelo chãoEu já fui dono de tudo que sentiaEra o […]

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08/05/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Sabe história de amor que a gente conta e desconta…

Sabe história de amor que a gente conta e desconta, estou nessas de reinventar as aventuras que não vivi e todo mundo de algum jeito já conhece. Não é tarefa fácil escrever um romance sob encomenda. E estou nessas, num profundo poço sem dose alguma de vontade, vontade de sair de casa, vontade de trabalhar […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: