18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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Relicário

23/01/2012 Sonhos Viciados

Observo os potes. São cebolas, batatas, não sei se pingas com ervas ou qualquer coisa curtida num vaso grande de vidro. Vejo navegar ali vermes, bichos centenários, minhocas brancas com pernas. Só eu vejo, o resto fala sobre o futebol, menino Sócrates que tomou todas.

Viro o copo de conhaque nesse fim de tarde de frio absurdo, quase raro para um paulista, normal para um rio-sulense, a morte para um paulistense. Meu estômago ferve, cozinha. As moças de biquini nos cartazes me oferecem uma cerveja. Uma garrafa. As moças com perfeição de Jr. Duran sem o glamuour do coelhinho. Com photoshop nos dentes. Juro, tem uma minhoca branca com pernas no pote.

Tem as paredes com rejunte preto pintadas a mão pelo tempo. Habilidade de Botticelli. Tem meu Dreher old eight. Estou enganado da vida, contemplando o pote que envelhece junto esses senhores órfãos de família.

Queria navegar na gosma espessa que esquenta o pote de alegrias meias, alegrias de bar, alegria de quem só ri por intermédio da pinga.

Hoje esqueci a chave, escolhi não pegar a blusa. E hoje é um dia de Ártico, impraticável pras moças de biquíni e seus risos de praia.

Escolhi errado, eu sei, assumo os riscos tomo outro gole. Queria dançar entre as ervas do pote de mil anos. Um mergulho, um giro. Ia conhecer muita gente feia, como a minhoca branca com pernas, mas todas prontas pra assumir os riscos. É um relicário. Valores raros hoje em dia, um universo paralelo que ninguém quer flutuar.

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Raiva Indômita!

Eu nunca fui melhor!
E não faço ideia se um dia serei…

Tenho vontade apenas de caminhar
De olhar nos seus olhos e dizer que “amei”

Perder tempo com discussão e repulsa
Encher a boca pra gritar “filho da puta”

Não ligo dos verbos virem no passado
Ultimamente só quero conjugar o verbo vingar

Não me olhe com olhos de quem quer ajudar
Você não faz ideia do é mentir, acreditar e chorar

E nunca pedi por sua complacência!
E tenho nojo da sua compreensão.

Sou errado, sou feio, sou ruim!
E me arrepender não quero não!

Quero mais é limpar minhas botas quando sujas
Com força e raiva na cara de quem caiu!

E olhar pro rosto de asco de quem tem repulsa
Sorrir, olhar nos olhos e dizer: Vá a puta que pariu!

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Sem escrever! (Ou como escrever sobre nada!)

19/01/2012 Gritos do Nada

Fiquei sem aparecer muito tempo né?

Eu me dei umas férias, na verdade não me dei, as férias me tomaram. Não que eu não tenha sentido falta de sujar com minha maltrapilha letra o fundo branco do site, mas fiquei um dia, depois dois, três, e quando me dei conta estava a mais de 10 dias sem produzir sequer uma linhazinha… e isso me preocupou!

Sentei diversas vezes com o meu querido netbook (que chamo de Polaco, por ser branco) no colo e não saia da primeira estrofe, da primeira frase, as vezes terminava o primeiro parágrafo, mas achava uma bosta, dava Ctrl+T e Del e tentava de novo.

Foi terrível! Não saiu nada! Resolvi que ia deixar as coisas fluírem naturalmente, que algo ia acabar chegando até minha cabeça e eu ia escrever… não vinha porra nenhuma!

E eu ficava tentando transformar qualquer frase em cosia melhor, se liguem como é:

Digo uma frase qualquer, por exemplo “O mundo é uma caixa, muito larga e muito baixa” ela é ruim, claro que sei que é, mas tenho que começar de algum lugar!

Então parto para possíveis complementos: “De onde você foge, ou então você se encaixa!”… claro que achei horrível!

Então deletei… mas pensei: “Porra! É assim que faço sempre!” E fiquei pensando que, enfim, acabou a fonte! Não que eu seja um puta de um poeta, mas sempre escrevi muito, então achei que cheguei no meu limite, e pensei: “O negócio então é escrever crônicas!”

Ledo engano, nada saia também (ai fiz essa malandragem de escrever sobre a falta de escrever). Que tá indo bem, como perceberam o texto é fluído, tem humor e tals…

Mas ai me veio isto:

Lhe digo: Não tenha medo da morte!
Mas por favor: Tenha vontade de viver!
Já que sabemos que viver é ter sorte
E também já temos a certeza do morrer!

E, quer saber, foi péssimo também! A estrofe é boa, claro que é, mas ai, terei eu como terminar? Será que escaparei da travação e continuarei? Sei lá amigos!

Sei que, ainda assim, escrever é a parte mais divertida de tudo que faço, e se vocês sentirem pelo que escrevo um décimo do que sinto quando escrevo já estarei satisfeito!

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Do acaso ao caso

14/01/2012 Zumbido Fugaz

Dessa vez eu nem perguntei o seu signo, na verdade eu nem lembrei, só me dei conta depois que você partiu me deixando com aquele gosto amargo corrosivo péssimo de cigarro que insistia em ficar principalmente em minhas mãos…

É as minhas mãos que você fez tanta questão de tocar nessa noite. Qualquer assunto que surgia, uma dúvida, era motivo de me chamar a atenção através dos toques nas mãos, até que num certo instante não soltava mais a minha mão. Sem ensaios, sem premeditar tudo tão natural diante da nossa timidez mórbida, mas que era encoberta pelo nosso bom humor de usar o defeito dos outros a nosso benefício para fazer o outro rir.

E mesmo nas independências da América Latina continuávamos a sorrir, mesmo quando falavam do cara que sentia prazer diante de um corpo sem vida, justamente por ter tido sua maior expressão de carinho por sua mãe, num abraço quando ela estava num caixão, sem te olhar, só os algodões encobrindo seus buracos sem nenhuma preocupação. O riso era nosso, porque a vertigem estava longe, porque estavam em segundo plano, porque as pessoas e todos seus paradigmas se estreitavam quando o sorriso vinha. Tão pouco deles, tão nosso sem demora, pressa ou descaso.

Ainda deu tempo para três copos de cerveja e alguns cigarros jogados pelas ruas fumaças impregnando almas e era ali que tínhamos que terminar. Como assim sempre me quis e eu nunca te notei? Você fala tão bem sobre a Guerra do Paraguai e todas aquelas guerras que tanto me saciam que seria tão impossível eu não te notar. Certa admiração havia, mas sem excessos, pensei, alguém que pode me dar boas horas de conversa, mas alguém que eu esperasse algo? Ah isso não. Não que eu espere algo agora, não que eu queira que passe a acender meus cigarros tão diferentes dos seus que pouco evidenciam meu vício, mas me dão um charme que até você não pode fazer pouco caso. Não que eu vá pedir que me leve em casa.

Eu sou seu tipo de mulher? Sério? Me desculpa, mas eu me delicio usando frases de efeito e me fingir de surpreendida, só pra não ter que dizer algo, só pra manter esse instante assim tão seu e deixar claro minhas superficiais intenções a seu respeito. Não é que eu vá fugir e não te passe o meu número ou não responde suas mensagens. É só que esse tipo de atitude não vai mais provir de mim, não mesmo, nem que eu me torture, nem que eu tenha que desligar o celular e desconectar a internet, não serei eu que discará primeiro. A urgência do sentimento me apavora, não sei pra quê tanto tudo bem e como foi o seu dia. Continue sem roteiros, a intenção é ser sincero? Pergunte quando a vontade vier, não faça por obrigação ou pra obrigar uma vida a se encantar e depender dos vis coloridos que cada frase inventada montada ou ajeitada dá pra cada solitária vida.

Amanhã repetir? Quem sabe, quem sabe…

 

Imagem do blogue: http://paragrafia.blogspot.com/2011_01_01_archive.html

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Recordar é viver

11/10/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Embarquei num ônibus qualquer

Embarquei num ônibus qualquer, não me importa o destino, itinerário, horóscopo, como anda minha sorte e nem se a viagem será longa ou curta. Tenho um único pedido, que não seja circular. Ninguém quer voltar pro mesmo ponto. Eu também não. Hoje não terá atrasos, chamadas telefônicas, nem e-mails respondidos. Embarquei num ônibus sem saber […]

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05/08/2014 Sonhos Viciados
Sem sessão no cineminha putaria do arouche Calígula sente a solidão congelando os ossos.

Piazzas IV

04/05/2012 Colunas - Zumbido Fugaz

Moça do ônibus

-Esse número de telefone não existe… Por que não anotei o número dela corretamente? Ou será que ela queria se livrar tão rápido de mim que me deu um número qualquer e foi embora zombando da minha cara? Avistei ela hoje por volta das 10h no ônibus, lendo algo que eu achava ser meigo, mas ao me […]

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22/05/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Teorema

Quis fazer da vida um teorema matemático.Uma equação que a soma dos catetos,Me dê seus dedos equivocados. Pensei no Laplace bebendo pinga,e nos sistemas insolúveis que me deparei.Dai os corolários e os teoremas. Bem dizer, quis ver ordem em tudo,Nos seus bom dias e quando grita na cama.Botar umas rédeas nesses alfas e betas. Passei […]

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20/04/2009 Colunas - Sonhos Viciados

Sede, intervalos e dias comuns

As vezes rola olhar no espelho.E sabe, até me assusto.Com as marcas todas. Até as invisíveis.Pois é, até os olhos que tanto amaldiçoouestão aqui, companheiros.Saltando da minha cara. É foda admitir.Se não digo, o corpo entrega.Juro que quero esconder a urgência.Mas tá lá, nas unhas, na boca. Afogo em copos,em salas escuras.Na rua as 6 […]

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08/11/2016 Gritos do Nada
Prefiro as nuvens que chovem em mim O céu cinza claro da minha cabeceira

Sobre a ilusão de não possuir eira ou beira

Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: