18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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Gradiente no volume 12

24/12/2011 Sonhos Viciados

Acho que o problema dela é que ela fumava muita maconha, de certo que na época eu não dava a mínima. Na verdade era pra isso que tantas vezes ia encontra-lá. Era uma casa, dessas sem garagem, uma porta dividia a rua da sala. Um sofa aos pedaços, uma estante com TV e livros, esse era as boas vindas de suas casa. Ela estava aprimorando a técnica de plantar seu próprio fumo. Sempre frisava quando eu começava a encher o saco.

– É cultivo hipodrônico, tipo alface de saquinho que você compra no mercado.

E pois sim, na lavanderia tinha uma bela plantação dessas Acabei não aprendendo nada de fumo e muito menos de plantio. Sempre achei mais interessante seu quarto e nem foi pelas horas que perdemos ali, mas era naquele recinto de paredes verdes que ela guardava seus discos e um daqueles aparelhos Gradiente que toca de tudo, saca? Vinil, K-7 e, a ultima invenção da época, CDs.

Acho que foi isso, a música era o nosso barato. Ela acendia um novo teste diretamente tirado dos tubos de PVC da lavanderia e iniciávamos o ritual. As tantas vezes acabamos sedendo o calor natural da nossa idade e faziamos o que devia ser feito no quarto.

O meu prazer é loucamente aguçado, são tão tentadoras suas formas de se expressar. Agora falo no presente, pois é atemporal a fascinação que ela acendia nos homens. Sua combinação predileta eram as camisas que se sobrepunham as regatas brancas, uma infinidades delas. As regatas tinham a esperteza de sempre revelar um volume mais desinibido de seu seio que vencia o algodão branco. Completava sempre com um coturno discreto, meias brancas e quase sempre shorts. De todas as cores e se hoje falo mais que dois tons de azul é devido aos shortinhos dela. Inho, suas pernas sempre venciam o tamanho das suas escolhas.

Agora me permito sorrir, aqueles sorrisos tristes de saudade

Mas nosso barato era outro, lembra? Sempre caímos em discussões pra lá de alucinantes no embalo do mesclado ou acabavamos nos divertindo com as nossas diferenças. Quase sempre eu levava discos pra ela conhecer, mas no fim ela que me mostrava coisas novas. O Gradiente no volume 12, foi minha aula de rocksteady para chapar e um ska 2tone pra ela falar dos seus romances mais doidos que nossas tardes de marijuana.

Ela me achava um romântico, coração mole, cheio de cafonices e eu a achava uma maluca despudorada, que ia de cara em cara tentando achar um punhado de vida.

Não sei ao certo se durou muito ou pouco, mas em algum dezembro ela me disse, com sua ironia muito própria, que tava voltando pra casa da mãe lá no interior de Minas, parece que a familia tava ficando preocupada com o estilo de vida que ela tava se metendo. Disse a cidade, mas já não me lembro. Só ficou registrado o jeito que ela ironizou, com direito a trilha sonora, tocava Selecter.

Ela disse que no fim eu nunca mais voltaria a seus braços…

Nos despedimos sem muito se importar em quem era propriedade de quem, naquele dia o Gradiente ficou no volume 14 e conversamos como se nada viesse a ocorrer.

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Última Carta

23/12/2011 Gritos do Nada

O meu prazer é loucamente aguçado, são tão tentadoras suas formas de se expressar

Lia e relia a porra da frase, e mal podia entender como uma carta que começa com uma frase como essa poderia ser uma carta despedida.

Ele chegou em casa como em todos os dias, ainda chateado com a briga que teve com ela pela manhã, pois disse, no calor da discussão, que voltaria pra casa apenas pra pegar suas coisas e ir embora.

[quote_left]Ele sorri, aqueles sorrisos tristes de saudade[/quote_left]Porém durante o dia acalmou-se, chegava em casa agora para pedir desculpas, e foi uma carta de despedida o que encontrou sobre a TV. Ela dizia no fim que nunca mais voltaria a seus braços…

Ainda olha em volta, vendo cada pedaço da casa e da mobília onde deveria estar alguma coisa dela. Olha pra estante empoeirada e dá falta das fotos, do bibelô de extremo mal gosto que ele insistiu tanto em deixar ali, na sala, pra todos verem. Levanta-se da poltrona, toca o lugar da mesa de canto onde ficava uma bonequinha de porcelana que ela tanto gostava… caminha pela casa…

Na cozinha não tem mais a panela elétrica, a cafeteira de 20 reais e nem um conjunto de copos que ela nunca usava mais deixava a mostra. A cozinha está morta, ele pensa, imaginando ela abrindo a geladeira e “assistindo” seu conteúdo até ele próprio gritar para ela fechar a porta. Ele sorri, aqueles sorrisos tristes de saudade, fecha os olhos e continua seu tour.

Passa direto pela porta do quarto, não tem coragem de abrir a porta e não ver as coisas dela por lá…

No banheiro dá falta da balança, a droga da balança de onde ela todo dia reclamava de uns quilos a mais, ou de onde comemorava algumas gramas a menos. Lembra que nunca subia nela quando Érica estava por perto.

Recorda da cumplicidade de dividir um banheiro, de tomar banho enquanto ela escovava os dentes. Ele enfim deixa as lágrimas escaparem.

Limpa o rosto com a manga da camisa branca e, como já começou a chorar mesmo, resolve que é hora de entrar no quarto. Antes de abrir a porta ouve o celular dela tocar dentro do quarto, imagina que ela está lá dentro, que, arrependida da carta, tenha se trancado no quarto.

Abre a porta com lentidão, ainda ouve o celular tocando.

Vê as coisas dela espalhadas pelo chão, o bibelô jogado perto da escrivaninha, porta-retratos entre suas pernas na cama, ela parece dormir, enquanto o celular toca…

Ele vê, perto dos copos e da bonequinha, uma lâmina, o sangue parece já estar seco.[quote_right]Ela dizia no fim que nunca mais voltaria a seus braços…[/quote_right]

Só agora ele olha pra ela, ela parece dormir, os dois braços embaixo da cabeça, o travesseiro antes branco agora é todo vermelho, ele vê pelo rosto dela as marcas das lágrimas que escorreram pelo seu rosto.

Levanta seu rosto e num misto de tristeza e horror encara seus pulsos brancos cortados, agora já sem sangue algum pra escorrer.

A solta com pressa, como se só agora se dessa conta de que, dessa vez, é tarde demais pra pedir perdão por ser babaca.

Deixa mais uma lágrimas escorrerem, antes de procurar a pistola guardada na escrivaninha…

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Inconstância

22/12/2011 Zumbido Fugaz

…que fere, ama e também dá uns carinhos
que arrebata tudo que há de melhor em mim
não me deixa dormir uma madrugada sequer
o seu sono é mais delicioso de se comtemplar…

Pra quê vou querer outros casos?
Você me dá calafrios, me irrita
e ainda consegue me fazer rir
Ah se você entendesse…

O meu prazer é loucamente aguçado
são tão tentadoras suas formas de se expressar
me leva ao alto, lá pertinho daquela lua
e consegue refletir o brilho das estrelas no teu olhar.

Aiai e você some por dias a fio
me dá perdidos imperdoáveis…
Mas aí chega com esse jeitinho bobo
de contar piadas sem graça
e eu te agarro e tudo começa outra vez…

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Passo a noite clamando pelos becos

21/12/2011 Sonhos Viciados

Certa vez me apaixonei pelos becos de uma mulher.
Aceitei o jeito que ela diz bom dia. Ou quando era mais moço o modo que ela me enchia de esperança.

Era uma moça, dessas que se vê por ai, com suas manias, inseguranças, temperamento instável. Com dias de festas, outros sombrios e alguns de rejeição.

[quote_right].. que fere, ama e também dá uns carinhos.[/quote_right]
Me peguei varias noites clamando pelo beco mais profundo, mais estranho e inatingível. Me peguei sonhando em ser herói no seu faroeste tropical ou arco e flecha pra dobrar suas derrotas.

Mas era só uma mulher como qualquer outra, que fere, ama e também dá uns carinhos. Hoje ela me é indiferente, como as Marias, Marlenes, Joanas e Brunas.

Já não passo a noite clamando pelos becos e reentrâncias dessa moça, que tem nome e tem gente que chama de mãe. Mãe pátria, nação, Estado. Penso nisso como uma moça, que tem suas manias, temperamento e dá seus carinhos de troco. As vezes dá saudade e penso nos seus becos. Como um amor de verão que guardo com carinho, mas que não aquece nenhum coração.

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Sombras Brancas

19/12/2011 Gritos do Nada

Sobem e descem pelos telhados
Brancas sombras que caminham
Perdem-se e esquecem seus pecados
Sem arrependimentos pelo que faziam

A escuridão eu passo em claro
Os pés soltos pela noite
Ouvindo e clamando pelo disparo
Sozinho esperando pelos açoites

Sou eu fruto das sombras?
Sou eu o filho dos becos!
Não sou sentado em poltronas!
Colecionando frustrações e cacarecos!

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Recordar é viver

23/11/2013 Gritos do Nada
Matei meus heróis com lágrimas nos olhos / Pra ser eu o herói que sonhei conhecer

Matei meus heróis

26/09/2011 Gritos do Nada

Ela, uma saudade inquietante

Sentou sozinho na praça Ele, um homem qualquer Abriu a garrafa, quase vazia No fim do dia, lhe resta o beber O vento castiga o rosto No bolso a foto amassada Nos lábios ainda o gosto De perder e não ter mais nada Segura a esperança e o choro Não convém chorar sem ombros Pende […]

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23/05/2011 Colunas - Sonhos Viciados

Em resposta ao Poeta: Dona Inspiração

Essa Dona de saia justa,me encara todos os dias,me fascina seu andar e suas pernas. Me encanta sua ciência inexata,seus olhares desafiadores,a imensidão de sua pele. Dona, me seduz seus segredos,me incomoda seu cálice. Os sábios e estudados lhe dedicam vidas.E eu só vivo cada dia na esperança de suas migalhas.Me reviro, bebo do meu […]

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05/08/2014 Sonhos Viciados
Sem sessão no cineminha putaria do arouche Calígula sente a solidão congelando os ossos.

Piazzas IV

16/12/2009 Colunas - Sonhos Viciados

Pausa 01

Hoje eu olhei pro calendário, pensei em todos os dias, até nos escuros, alías foi nos sombrios que me atentei. E me pareceu um tanto engraçado senti-los agora, tão distantes. De alguma forma seguimos em frente, já não somos mais tolos e nem tão desesperados a ponto de pensar que alguma coisa seja insuperável. Os […]

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23/11/2011 Gritos do Nada

Ultrapassa as telas II

“O amor perfeito não ultrapassa o longa-metragem” Não tem barulhos de sinos e nem caminhadas ao horizonte Chamar a atenção? Só de quem se ama e olhe lá! A pequenez dos bilhetinhos, só é pequenez pra quem está de fora As horas perdidas, ou ganhas, de falar nada A chatice (será mesmo?) de ver TV […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: