18/08/2016 Zumbido Fugaz

O passado trás presente

O seu nome ecoa na minha mente Como o sino que insiste Em avisar sobre a missa das 18h O seu corpo comprime meus anseios Mas trás a tona os mesmos medos dos 16 anos Quando eu te vejo chegar um carro bate E eu não sei mais dizer se ainda são 14 cores que […]

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03/02/2014 Sonhos Viciados

Piazzas I

Hélio Oiticica beija minha mão esquerda enquanto eu tento esconder opiáceos dos guardas e malandros dessa rua antiga e sem dono. Me escondo nos paralelos invisíveis da tua língua morta sem tradutores e dicionários. […]

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26/09/2015 Gritos do Nada

Vidraça

Não serei mais vidraça pro seu grito de guerra Nem admitirei ser fraco ou omisso Aqui quem fala é que nunca espera É quem fez de verdade da luta compromisso. Não aceito seu preconceito descabido Sua neura e sua falta de argumento Me deixe então com meu livre arbítrio! Já que não me é possível […]

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Millennium – Mais que um bar de Faculdade ou A Deusa da Mesa ao Lado

29/09/2011 Resenhas de Bares

Ele costuma terminar as aulas no Millennium, um bar que fica em frente a UniABC, é um desses bares de faculdade, que servem lanches e tem cerveja a preço justo.

É maior que a maioria, e como ele tem amigos que fumam, eles costumam ficar do lado de fora, onde tem uma pracinha legal com mesas e os caras podem encher o pulmão de enxofre sem problemas.[quote_right]O Millennium é um desses bares de faculdade, mas diferente da maioria deles, tem personalidade e vida pra além dos dias de aula.[/quote_right]

Costumam sempre pegar 2 garrafas de 1 litro, o custo benefício é melhor, a garrafa de Skoll (ou Brahma) custa R$ 6,50, fazem o rateio e ele passa a breja no cartão.

Lá normalmente terminam as discussões que começaram na aula, ou mudam de assunto totalmente e falam de futebol, das mulheres do bar, de carro ou moto, enfim, lá eles esticam, em algumas dezenas de minutos, as deliciosas conversas que gostamos de ter com os colegas da facul.

Nessa sexta estava garoando e por isso, sobre protesto dos amigos fumantes, eles foram pras mesas que ficam dentro do bar. Que estava lotado nesse dia.

Sentaram numa mesa perto de uma das portas de vidro, que estava fechada, mas permitia a visão da rua, a esta hora cheia da galera correndo pra pegar as vans que levam eles pra casa. Vida dura de estudante.

Hoje a ideia eram poucos minutos, e o Paulinho pegou só uma breja dessa vez, o Rodrigo começou a conversa sobre a aula, e o monólogo, como sempre, lhe parecia que ia longe…

Ele gosta de ouvir o Rodrigo falar e fazer comentários jocosos pro Paulinho rir, mas ele, de verdade, gosta do que ele fala…

Os três copos estão cheios e eles brindam! Ele solta o seu brinde mais famoso: “Um brinde a juventude, pois da velhice só levaremos a morte!” e ouve-se o bater surdo dos copos. [quote_right]Costumam sempre pegar 2 garrafas de 1 litro, o custo benefício é melhor, a garrafa de Skoll (ou Brahma) custa R$ 6,50, fazem o rateio e ele passa a breja no cartão.[/quote_right]

Olha pra mesa ao lado e lá está ela, não ele nunca a viu, mas seus olhos não permitiram outra reação, havia no Millennium uma deusa, e ela bebia cerveja na mesa do lado.

Olhou pro Paulinho e o seu queixo caído e os olhos em brasas não deixaram dúvida: Ele também viu…

Haviam outras pessoas na tal mesa, mas totalmente ofuscados por ela, que ria alto, falava alto, gesticulava, bebia goles enormes de cerveja e, não bastasse tudo isso, era a coisa mais linda que eles já viram sentada por lá.

O Rodrigo falava agora sobre algum defeito na moto ou uma conversa sobre o pai dele. Como havia agora um bom motivo pra ficar, embora o monólogo fosse sempre um bom divertimento, ele pediu e o Paulinho pegou outra breja e um pacote de salgadinho…

O olhar dela e o seu acabaram se cruzando, uma, duas vezes, mas na sua cabeça foram milhares de vezes, ele viu que a mesa dela estava cheia de porções, batata frita, e provolone a milanesa, aliás, ele lembra que as porções lá, embora demorem um pouco pra chegar, são ótimas.

Ele levanta e vai no balcão, pede um pastel pra ele e mais um pacote de salgados pros caras, e o Rodrigo agora fala do seu antigo trampo, na volta ele passa bem perto dela e ela lhe sorri com os olhos… ele fica vermelho e senta logo.[quote_left]Olha pra mesa ao lado e lá está ela, não ele nunca a viu, mas seus olhos não permitiram outra reação, havia no Millennium uma deusa, e ela bebia cerveja na mesa do lado.[/quote_left]

Ele prestou atenção pela última vez no Rodrigo, que agora falava da aula de sociologia, quando voltou o olhar pra a mesa ao lado não a viu mais lá, imaginou que tivesse ido ao banheiro, deixou o monólogo do Rodrigo só com o Paulinho de espectador e correu a porta do banheiro, esperou e esperou até desistir e voltar pra mesa, quando se virou pra mesa viu, atravez da porta de vidro, ela na calçada abrindo a porta do carro, ainda teve tempo de lançar-lhe um último olhar balançando o cabelo…

Retornou a mesa, desolado, Rodrigo discursava sobre escola e disciplina, pensou em pedir outra Brahma, mas viu que a banda de pagode já tava pronta, porque no Millennium de sexta tem pagode e depois das 11 e meia a cerveja fica mais cara também, interrompeu Rodrigo e sua história sobre armas em casa e preferiu ir embora antes que ouvisse algum pagode e este ficasse em sua mente…

O Millennium é um desses bares de faculdade, mas diferente da maioria deles, tem personalidade e vida pra além dos dias de aula.

O Corvo adora tomar umas por lá, acha o lugar limpo, legal e divertido, com breja a preço justo e lanches/porções deliciosas e por isso o Millennium recebe 9 corvinhos!

Millennium Beer
Avenida Industrial, 3045 (em frente a UniABC)
Santo André

E leva 9 corvinhos!

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Míope por opção

28/09/2011 Sonhos Viciados

Mais uma das coisas que aprendi velho na vida. Sou míope. O que me alegra é que isso pouco tem a ver com aprender, mas sim de detectar o distúrbio. Meus velhos óculos estão prestes a se aponsentar e no dia do idoso ele merece uma homenagem. Vamos roubar o bolo do garoto Google, que no mesmo dia faz seus treze anos.

[quote_right]”Todo tipo de detestável se encontrava num bar improvisado dentro do cine horrorshow ou nas poltronas pra mendigo dormir.”[/quote_right]Meus óculos devem ter uns 7 ou 8 anos. E foi na mesma época que detectei que as pessoas de longe não são formas estranhas que se misturam com roupas coloridas e tufos felpudos na cabeça. Nessa mesma época eu frequentava os cinemas podrera lá da República. Cine Saci, pornô de DVD, VHS ou sei lá o que. Película aquilo não era, via dois filmes e pagava um. Algo nessa linha. Linha era tudo que os caras que lá iam não costumavam andar. Todo tipo de detestável se encontrava num bar improvisado dentro do cine horrorshow ou nas poltronas pra mendigo dormir. E nos encontros esse tempo não durou muito.

Não precisava dos olhos bons pra ver os filmes e nem mesmo pra sacar que não era uma boa andar nesse lugares quase esquecidos. Nessa mesma época vagava pelo centro as tantas da madrugada. E foi nessas que percebi que meus olhos não eram tão certeiros assim.

[quote_left]”Um vídeo de putaria nervosa passava na TV numa janela do terceiro andar”[/quote_left]Devia ser algo perto do Largo do Paiçandú as duas da manhã. Meu amigo, já tinha aprendido que era míope faz um tempo e apontava feliz pra janela. Um vídeo de putaria nervosa passava na TV numa janela do terceiro andar, da mesma linha do cinema do abandono. Um hiato.

Ele entretido em peitos e resto de cerveja quente deixou seus já vividos óculos pra eu ver a baixaria. E sim senhores. Nesse instante eu aprendia. Sou míope. E foram os 7 e 8 anos e minha miopia só agravou. Optei mais por ver os tufos felpudos na cabeça dos outros do que tentar ver cristalino. Assim me parece mais sincero.

Esses seres sem rosto que vagam por aí, na fila do banco sem dividir bom dias, como o cinema do abandono. Os anônimos perversos que aguardam seu deslize, como o bar improvisado de um centro sujo de qualquer cidade. Escolhi as formas incertas das moças que não me reservam histórias de amor, só a traição de saber que no fim as letras sobem. Como no cinema da baixaria. Com direito a atriz, diretor e gemidos falsos.

Sou um míope por opção que não lê os créditos quando tudo termina.

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O maior dos homens gol! Romário!

27/09/2011 Gritos do Nada

Todos têm um homem gol… Ou deveriam ter
Alguém pra se gritar o nome quando vemos a rede estufar
Um cara, ou “o cara”, que faça o adversário tremer
Que faça a arquibancada torcer e vibrar…

E ele pode passar o jogo quase todo sem receber uma redonda
E ele xinga, se exaspera, pois pra ele toda bola tem que ser gol
Esse é o jogo dele, é só ele e o goleiro, o resto? Nem importa…

Mas a bola não vem, ele joga só por uma
Meu homem gol sabe que não vai errar…
Está entre zagueiros… Como uma cobra a espreitar

O jogo é dele, e ele sabe… O homem gol está na área
Não importam os passes, os dribles longe do gol…
Ele nem se importa, pois é ali onde está que esse jogo se joga…

Uma grande defesa, uma roubada de bola…
Aquelas lindas antecipações do zagueiro… Ele só faz andar
Porque sabe que quando seu gol sair é só seu nome que vai importar

Não fazer o gol o irrita e só ele pode entender
E o meu “9” tem fome… Ele quer ganhar!
E esfregar na cara da vida suas dificuldades
Abrir a boca e poder dizer: Sou Foda!

E quando domina a bola… Ah, nada mais importa!
Finge não ver o companheiro com o braço levantado…
Nem mesmo raciocina se ele está melhor posicionado…

Já não ouve mais o grito da torcida…
Não lhe importa a dor no joelho da última dividida
Agora ele é só bola, trave, rede e gol… Essa é sua vida!

E o meu 9 era incrível, mas era apenas um homem…
Que suava, cansava e envelhecia… Mas não errava…
Porque o meu “9” era mais, já que meu nove era o 11!

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Ela, uma saudade inquietante

26/09/2011 Gritos do Nada

Sentou sozinho na praça
Ele, um homem qualquer
Abriu a garrafa, quase vazia
No fim do dia, lhe resta o beber

O vento castiga o rosto
No bolso a foto amassada
Nos lábios ainda o gosto
De perder e não ter mais nada

Segura a esperança e o choro
Não convém chorar sem ombros
Pende pro céu o seu rosto
Lágrimas transbordando o olho

O relógio grita, mudo, as horas
Ele precisa ir embora
O caminho, que já fez sorrindo
Hoje ao fazê-lo, chora

Seus passos pesados, medidos e contados o levam pra casa
E, tenha certeza, casa mais vazia e triste não tem
Vê as flores que morrem no quintal, a suja calçada
Segura o choro, mas sabe que não é da conta de ninguém

Seu peito, vazio,  é de terra agora
E as lágrimas fazem dele lamaçal
Liga a TV pra ouvir qualquer coisa
Já que agora até o sublime virou normal

Não sabe onde arruma forças pra amanhã
Mas logo mais ele acorda aflito
Ainda passa a mão pela fronha do lado dela
E sente o vazio que pesa naquela cama

Ele, um homem qualquer
Ela, um passado distante
Ele, a morada da solidão
Ela, uma saudade inquietante

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E se você fosse sempre o último?

24/09/2011 Gritos do Nada

E se você ficasse sempre por último?
E suas vontades não fizessem diferença?
E todo seu esforço fosse insuficiente?

E se te julgassem e medissem pela régua deles?
Onde você é sempre pequeno e estranho
E se tudo que acredita fosse considerado bobagem?

E se tivesse que jogar fora seus sonhos?
E em troca de ser secundário, mas aceito
E mesmo assim não soubessem se vale a pena?

E se você não suportasse?
E só te dissesem: desculpa.
E se as suas lágrimas escorressem
enquanto alguém liga a TV e nem liga pra você?

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Recordar é viver

04/09/2013 Zumbido Fugaz

Gosto de café

Você tinha gosto de poesia com café contenta mas não sustenta era um gosto amargo de passado que não tinha acabado de escrever. Eu me intrometia entre os seus dedos desleixada quase te machucava só que uma parte blindada te protegia nunca me deixava totalmente em você. […]

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04/07/2009 Gritos do Nada
Eu quero mais eu quero inteiro! Sem mais pedaços de satisfação

Até Explodir

16/05/2011 Colunas - Sonhos Viciados

50 em 1.

Play! Par Avion – FM Belfast Agora a gente acorda nos domingos,com esses cinquenta e poucos no olhar.Cheios de saudades quando era só quebrar garrafas,agora a gente acorda sem encarar os espelhos. Todas nossas conversas caem nas lembranças,quando a gente ia se preocupar.Quando o que importava era o caminho [não o fim.] […]

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28/07/2012 Gritos do Nada

Sorrir pra você…

A minha vida tem adquirido mais sentido… Principalmente nos nossos abraços demorados Onde sua respiração se mistura com a minha E nos beijamos com os olhos fechados Eu só me permito te olhar sorrindo E é apenas sorrindo que consigo pensar em você De todas as coisas que posso prometer Te amar para sempre é […]

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10/05/2012 Colunas - Sonhos Viciados

Perfume de mulher

Sem entrar em questões religiosas ou quem dirá metafísicas, se Deus existe ele mandou algumas provas. Listando de maneira breve as mais contundentes são perfume e coxas de mulher. Tem gente que diz que essa coisa de mercado e consumo é coisa do diabo, eu mesmo já nem me importo, adoro todos aqueles cheiros dos […]

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11/08/2016 Gritos do Nada

Chuva no Deserto Estelar

Meus olhos chovem Pelas palavras que não ouvi As que queria e as que deveria […]

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Artista



Acervo público Metropolitan Museum of Arts, créditos: